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Criadouro Kakapo

ELEMENTOS DE GENÉTICA  


AMADEU SIGISMONDI FILHO
REVISTA AVO 1999
Arquivo Editado em 28 Jan 2011

Noções teóricas
Aplicação à Canaricultura

Iniciamos nosso trabalho sobre canaricultura com algumas noções básicas e fundamentais sobre genética. O atual estágio da canaricultura exige que os criadores tenham um mínimo de conhecimento desta ciência. Muitas mutações, no decorrer de alguns anos, apareciam nos plantéis de nossos criadores e os pássaros eram descartados como defeituosos, ou simplesmente não eram usados na criação. Ou, ainda, se perdiam por falta de conhecimento que levasse à fixação do fenômeno.
A genética teve início com os estudos realizados por Gregor Johann Mendel, cientista nascido em 1822.
"Genética" vem do grego, relativo à geração e significa o estudo das leis que regem o comportamento hereditário dos caracteres dos seres vivos de todas as espécies. As leis de Mendel ficaram no esquecimento durante longo tempo até que, no princípio deste século, foram como que redescobertas e passaram à posteridade, tendo a genética se fixado como ciência.
Para o ornitólogo, e muito especialmente para o cana ri cultor e o criador de periquitos, a genética tem hoje uma fundamental significação. Por esta razão, nosso trabalho se inicia com genética elementar aplicada à canaricultura.
O conjunto de caracteres individuais, anatômicos e funcionais, é formado pela constituição orgânica e, com base neste conjunto, um indivíduo se diferencia de outro do mesmo grupo. A soma dos fatores hereditários ["genotipo") e mais os fatores desenvolvi­dos pela influência do meio ("paratipo"j, quando se externaliza e se manifesta, chama-se ("fenotipo"j.
Podemos, então, concluir o seguinte:
1) GENOTIPO
São fatores que um determinado indivíduo possui em seu patrimônio hereditário, fatores estes não exteriorizados nele mas que podem ser transmitidos à sua descendência.
2) PARATIPO
São os fatores desenvolvidos pelo ambiente externo.
3) FENOTIPO
Os organismos vivos, animais ou vegetais, são compostos de células que são as unidades morfológicas e fisiológicas dos seres. A célula é constituída de uma membrana que a isola do meio ambiente. São inúmeras as substâncias que fazem parte da composição química da célula. A água é o constituinte celular inorgânico mais abundante e de maior importância. Na substân­cia cinzenta de cérebro, sua proporção é de 85% e nos ossos é de 20%. Desempenha um papel muito importante, pois é o solvente dos ions minerais e tem vital importância nas reações metabóli­cas.
Os constituintes orgânicos estão representados pelas proteínas, lipídios, hidratos de carbono, ácidos, etc.
Os ácidos nucléicos são importantes constituintes das células, pois deles dependem as transmissões dos caracteres hereditári­os. Os dois ácidos nucléicos mais importantes são:


DNA - Ácido desoxirribonucléico e RNA - Ácido ribonucléico.
O DNA é o principal constituinte cromossômico, onde está localizado o material hereditário, denominado gen. Os cromos­somos estão no interior do núcleo da célula, juntamente com o suco nuclear e os nucléolos. Os cromossomos, que já são um conjunto de gens, representam os agentes físicos portadores dos fatores genéticos que transmitem caracteres hereditários. O número de cromossomos varia conforme a espécie. Assim, no homem vamos encontrar 46, no feijão 22, no milho 20, no cão 22, no papagaio 50 e no canário 18.
O número de cromossomos das células do corpo, ou células somáticas, representa-se por 2n e é chamado diploide, pelo fato de cada um deles ter um homólogo. No homem, onde encontra­mos 46 cromossomos, temos na realidade 23 pares de cromos­somos, e chamamos de cromossomos homólogos os dois cromossomos de cada par correspondente.
Como podemos definir o cromossomo? Podemos defini-Io de duas formas: citoplasmicamente os cromossomos são filamen­tos encontrados no interior do núcleo, dispostos em forma de discos, rigorosamente uma ao lado do outro; geneticamente os cromossomos são uma sucessão de gens, separados pelo centômetro que impede a fusão dos mesmos mantendo sua individualidade.
As células sexuais são as Únicas que possuem n cromossomos, diferenciando-se das células normais que possuem 2 n cromos­somos (diplóide). Por terem n cromossomos, as células sexuais são chamadas haploide.
Na junção do espermatozóide masculino, chamado gameta, com o óvulo feminino. Dá-se a fecundação; o óvulo fecundado recebe o nome de zigoto e passa a ser uma célula diploide 2 n formada agora de duas células haploide de n cromossomos cada uma. A este processo dá-se o nome de meiose. Após a fecundação e a posterior formação do zigoto, o mesmo é expulso do ventre materno sob a forma de ovo, protegido por uma capsula calcária, possuindo dentro uma substância nutritiva que serve para alimentação do embrião até o nascimento.
Nas aves e em algumas espécies de insetos, o cromossomo sexual da fêmea difere do cromossomo do mocho. As fêmeas têm um deles sem função, considerado normalmente atrofiado. Designamos de X o cromossomo ativo e de Y o cromossomo sem função. Nos machos, o designação é efetuado pelas letras XX.
Sobe-se o número de cromossomo de uma determinada espécie pela análise citológica. No canário, como já sabemos, é de 18, ou sejam, 9 pares, dos quais 8 são comuns a machos e fêmeas e são chamados autossomos. Um par é diferente nos dois sexos, sendo o macho = XX e a fêmea XY, como já vimos. Agora vamos ver a designação completa. Chamamos o conjunto de autosso­mos de A e podemos indicar um indivíduo do sexo masculino por 2A XX e a fêmea por 2A ZY, ou 2A X/X 2A Z/Y.
Algumas variedades de cores dos canários são transmitidos por gens que estão localizados nos cromossomos sexuais.
Para que um canário seja puro, para um determinado caractere é necessário que o gen determinante deste caractere esteja presente nos dois cromossomos XX - caracteres ligados ao sexo.
Para que um canário seja portador, é necessário que o gen esteia presente em um dos cromossomos XX. Como as fêmeas têm somente um cromossomo ativo X, elas nunca poderão ser portadoras de fatores ligados ao sexo. Serão sempre puras, quando o gen determinante deste caractere estiver presente em seu único cromossomo X.
Como isto é de muita importância para uma goma de cores muito grande, vamos caracterizá-Io bem, de forma resumida.
Para os caracteres ligados ao sexo:
a) os machos são puros quando exteriorizam os caracteres, ou portadores, quando os possuem em um dos cromossomos, podendo transmiti-Ias sem contudo exteriorizá-Ios.
b) as fêmeas somente podem ser puras para os caracteres em questão, não podendo nunca ser portadoras.
Observação: Os caracteres que são transmitidos por outros cromossomos, no coso, por autossomos e são também hereditários, esta hereditariedade se. transmite de forma recessiva como veremos mais adiante.
Quando um canário é portador de um determinado caractere, dizemos que o canário é heterozigoto para este caractere. Ao contrário, se o canário é puro para o caractere considerado, dizemos que é homozigoto. Nos canários heterozigotos um dos caracteres é dominante - aquele que se manifesto, o outro é recessivo em relação o este. O dominante se manifesta (fenotipo) e o recessivo permanece escondido Igenotipo). LEIS FUNDAMENTAIS

lei da Dominância
Dois caracteres constituem um par de alelos e um deles é dominante, que prevalece sobre o outro, dito recessivo e se manifesta nos híbridos da primeira geração, enquanto o outro permanece latente.


lei da Disjunção
Quando se cruzam dois indivíduos puros e diferentes considerando-se um só caractere, verifica-se que todos os filhos F1 são iguais entre si.


lei da Independência
Cada por de alelos se comporta independentemente do outro par, e os alelos dos diversos pares se combinam segundo as leis do probabilidade.


Dominância Retardada
É o caso de um gen dominante que se manifesta mais tarde no vida do indivíduo, como a cor do plumagem de um canário, que se muda após a troca das penas de ninho.


Dominância Evolutiva
Trata-se de um gen dominante que se manifesta desde cedo, mos que tem suo força em constante evolução. O fator marfim, pelo que temos observado, tem inegavelmente uma dominância evolutiva.


Dominância Parcial
Conforme o nome indica, é quando não há uma dominância total. Exemplo clássico em canaricultura são os canários intensos. Sendo o fator intenso dominante sobre o nevado, não deveria haver o que chamamos de schimmel. Isto existe porque a dominância, no caso, é parcial. A AVO - Associação Videirense de Ornitologia solicitou ao amigo Amadeu que enviasse algo para a revista e o mesmo nos brindou com este artigo que redigiu em 1976 quando provavelmente poucos criadores no Brasil tinham conhecimentos mais profundos sobre genética na Canaricultura.


 

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