Ricardo Pimentel Ramalho
Revista pássaros 44
Doutorando em Zootecnia
Se o criador dispuser de uma estrutura de 50 gaiolas o que é melhor: usá-Ias todas com casais reprodutores e ter variabilidade genética ou fazer os 10 ou 15 melhores casais reprodutores do planteI e usar as demais gaiolas para ama-secas destes casais, aproveitando-os ao máximo? Entendo ser essa última a melhor escolha, o que pretendo demonstrar através do presente artigo, com comprovada base científica e respaldado em experiências pessoais.
Todos os estudos de descendência mostram que há um "sorteio" de genes durante a formação dos gametas. Sabe-se que durante a formação dos mesmos ocorre a meiose, reduzindo à metade o número de cromos somos da célula, ocorrendo, assim, uma eleição de metade dos genes que os pais possuem. E é exatamente por isso que os gametas não são idênticos no que se refere ao patrimônio genético, sendo também por esse motivo que irmãos completos (mesmos pai e mãe) podem ou não se parecer fenotipicamente oscilando de O a 100% seus genes em comum. Logo, um irmão de um campeão não é necessariamente a melhor escolha de compra quando o próprio campeão não está disponível.
Para fins meramente ilustrativos, exemplifico através da figura abaixo a forma como os gametas se dividem e, após fecundação, voltam a se recombinar, dando origem a novos fenótipos de melhor ou pior qualidade, identificando os genes desejáveis por branco e os indesejáveis por preto: Na figura foi apresentado o patrimônio genético de cada animal por oito partes de igual tamanho (fatias), representando essas partes os genes que determinam uma característica fenotípica específica (como quantidade de lipocromo, tipo de nevadismo, mosaiquismo, feomelanina, tamanho da ave, fator limão e outras características de natureza quantitativa). Ressalto que o número de pares de genes e de classes fenotípicas para essas características é muito maior do que o usado no exemplo.
Observa-se ainda na mesma figura que na formação da geração filha aparecem nove classes de animais a partir de um casal com qualidade semelhante. A partir desse preceito outra teoria pode ser aplicada: no processo de melhoramento genético das espécies devem ser selecionados os animais com características desejáveis e descartados aqueles com características indesejáveis (seleção artificial).
Assim, através da lei das probabilidades a chance de aparecimento de animais intermediários entre. o mérito genético dos pais é muito maior do que a proporção de filhos superiores ou inferiores seguindo o que os "melhoristas" chamam de distribuição normal das freqüências (demonstrado na figura 2). Nesse exemplo, pode-se perceber que a chance do surgimento do melhor genótipo é de I a cada 25 filhotes lembrando que estamos considerando apenas quatro pares de genes o que representa muito pouco em relação às características mencionadas anteriormente.
Fica demonstrado, assim que, para que se dê oportunidade da ocorrência dos melhores genótipo são necessárias muitas tentativas, ou seja muitos filhotes.
Essa situação proposta é válida para todas as espécies. Porém, para canários, é mais fácil de ser aplicada uma vez que podemos aumentar o número de filhotes de um determinado casal através da utilização de "amassecas"
Assim os melhores casais (escolhidos para reprodutores) não incubariam seus ovos, nem criariam seus filhotes, diminuindo, assim, o tempo entre posturas e conseqüentemente: aumentando o número de ninhadas durante a época de reprodução.
Outro fato importante que dever ser lembrado é o valor de aquisição dos melhores casais muito superiores em regra, ao valor de venda dos filhotes. Sendo assim, para a viabilidade econômica da maioria dos plantéis, fazse necessário a venda de um grande número de filhotes que possam financiar ou pelo menos amenizar, o alto custo de renovação do planteI.
Concluímos, assim que a chance de aparecimento dos melhores genótipos depende do número de filhotes obtidos por casa. Então, vamos; planejar nossas criações para um maior: